terça-feira, 3 de março de 2009

Adeus...

Podia ter ficado mais um dia em Verona porque realmente a cidade merecia. Mas não. Havia pessoas com quem queria aproveitar os últimos segundinhos. Por isso voltei.

E foram dias de loucura. Acordar, sair, dormir, acordar, sair, dormir, acordar e sair. Aproveitar ao máximo enquanto ainda dava.


Despedida da Sara e do João com direito a jantar na Ilaria e Michele (já é tradição!), Lo Sfizio, Garibaldi, Boderline e depois a oportunidade de finalmente provar os famosos crepes da Sara que não desiludiram em nada.
Ataques de choro, abraços, beijinhos e saudades.

Aproveito para te agradecer Sarinha por me teres deixado a tua bicicleta que é mesmo gira, ando toda vaidosa, já que a minha está toda descomposta desde que foi roubada, já nem cesto, nem campainha, nem nada. E agradeço também a balança e os restantes objectos que vão dar muito jeito.


No dia seguinte, despedida da Marta, Araceli e Bea. Ai alma gemelle, abandonas-me assim! Já não bastava a Ana Hervás e a Pilar…
Sair de casa a cantar e voltar ainda a cantar. Bottelion na Piazza Garibaldi até tarde.
Antes que a minha Inesinha se fosse, arranjámos um tempinho para concretizar duas combinações antigas: ir andar de cavalo ao estábulo do Dan, um indiano que conhecemos numa história surreal há uns meses atrás, e irmos à prova de vinhos Sicilianos no café do Michele. Ficou por concretizar o jantar de Sushi.




O último dia da Inês foi ocupado a ajudá-la a fazer as malas. Vários amigos juntaram-se para a vir acordar e fazer o que fosse preciso. Descolar as 150 fotografias das paredes do quarto não foi tarefa fácil. Ver as paredes nuas fez muita impressão e para além disso, ainda bem que a caução já tinha sido devolvida, o bostik fez buracos inacreditáveis na parede.

(antes)
(depois...)
Despedida da Inês: Discotreno organizado pelo ESN até ao Carnaval de Viareggio (estância balnear aqui ao lado), Carnaval esse muito popular em Itália. Fez-me imenso lembrar Portugal e o Carnaval de Torres: barraquinhas, música popular conhecida, muitos mascarados, muita gente a dançar. Quase todos os Erasmus aderiram à máscara, levando pelo menos um acessório. Eu fui novamente de sposa.




Depois de a festa nas ruas acabar ainda fomos a uma festa na casa de praia do Pasquale do ESN, em Viareggio, voltando todos no comboio das 5h38 para Pisa.

Chegados a casa, foi tempo de a Inesinha ultimar as suas malas, e sairmos em direcção à estação. Um caminho muito triste, ruas e ruas de recordações e histórias. Uma grande pena.

(Ao passar neste sítio, decidimos fazer uma réplica desta foto tirada logo em Setembro, e curisosamente até estavamos com as mesmas roupas)


Uma última fotografia, na Ponte Mezzo.


Sentimentos destes só tinha tido na ACAJ (colónia de férias que fiz muitos anos): amizades muito intensas que se constroem muito depressa devido à elevada convivência e que deixam uma saudade e tristeza gigante…

Carnaval no Veneto

Aproveitando o feriado, decidi dar um saltinho ao célebre Carnaval de Veneza. Quis no entanto manter a mesma companhia do ano passado: a minha Vanessinha, que começou o seu Erasmus há duas semanas na vizinha Génova. Também como no ano passado, ficámos alojadas na casa de uma amiga da Vanessa, a Carolina, que fez Erasmus em Veneza há dois anos, e que por gostar tanto, por lá ficou a trabalhar desde então. Com a pequena diferença de que no ano passado ela morava numa rua atrás da Praça de São Marcos, e este ano mora no Lido… faz uma certa diferença, lol.

Procurámos comboios regionais que, partindo das nossas respectivas cidades, chegassem a Veneza mais ou menos à mesma hora. E assim foi, forreta como sou, apanhei três comboios para pagar apenas 18€ para chegar a Veneza, demorando umas 6 horas e fazendo trocas no Prato e em Bologna. Nota: nunca façam trocas no Prato, fui completamente assediada… que nojo. Fora isso, gostei de viajar sozinha, quase não tive oportunidade de adiantar o livro que levei para ler porque fui conhecendo imensa gente, óptimo para praticar o meu italiano.

Chegada à estação de Veneza S. Lucia, fiz questão de não sair enquanto a Vanessa não chegasse, já que é uma cidade tão nossa, onde tínhamos sido tão felizes no ano passado.

Devido à hora tardia a que chegámos, nessa noite já pouco havia a fazer, pelo que nos dirigimos ao Lido. Primeiro Vaporetto, depois autocarro. Distraídas na conversa, deixámos passar a nossa estação de saída, e quando demos por nós, o autocarro estava em cima de um ferryboat, já em direcção a outra ilha, de nome Pelestrina. Com esta brincadeira tivemos de esperar que o autocarro chegasse ao fim e voltasse a fazer a rota inversa, o que fez com que chegássemos estupidamente a casa às 5h da manhã, trazendo uma bela dose de preocupação à anfitriã Carolina.

Guardámos dois dias para passear calmamente por Veneza, outro para ir a Pádua, e o último, já de regresso, para conhecer Verona. Foi bom termos ido juntas, porque como já tínhamos conhecido Veneza no Carnaval do ano passado, faltavam-nos ver as mesmas coisas. Assim, e dado que os principais ex-libris de Veneza já estavam vistos, optámos por ir ao Cemitério (uma ilha só com um cemitério cheio de espaços verdes, onde só se chega de barco e por onde passam muitos turistas), e a Burano, já que no ano passado eu me tinha enganado, e nos tinha levado até Murano – horrível. Burano vale mesmo a pena, embora seja a 1h30 de Vaporetto.




O outro dia em Veneza aproveitámos para ir ao Campo de Santa Margheritta comer uma Pisa al Volo, tão célebre e tão deliciosa, e para nos perdermos sem rumo pelas ruelas.

À noite jantávamos por casa, pasta feita pelo namorado da Carolina, italiano do Veneto, e íamos para o Carnaval, sempre animadíssimo, pena acabar cedo. Também ainda deu para me cruzar com um grupinho de amigos portugueses aqui de Pisa que foram também para lá :)




No dia seguinte Pádua, que bem podia ter sido dispensada, não gostámos mesmo. Algumas ruinhas engraçadas no centro histórico, mas logo seguidas de ruas grandes, modernas, com estradas e infra-estruturas altas, num contraste sem sentido.

Já Verona, tivemos foi pena de não perder lá mais tempo. Lindo, lindo, lindo. Ruinhas, todas elas muito queridas. Percebo aqueles que a consideram a cidade mais linda de Itália. Fomos à Casa da Julieta onde nos bombardearam de ofertas, e onde a Vanessa dedicou por escrito todo o seu amor por mim :P Não houve tempo para muito mais, havia três comboios para apanhar de regresso a Pisa/ Génova. Tenho mesmo de lá voltar com mais calma.




Veneza continua a ser a minha cidade preferida de todo o sempre, e quem sabe se no próximo Carnaval não estaremos novamente lá para fazer o hat-trick.

P.S.- Esta quarta parto novamente em viagem, isto anda muito agitado eu sei, pais! Tem de se aproveitar enquanto as aulas ainda estão a meio gás! Vou conhecer Nápoles, Pompeia e Amalfi, com passagem por Roma.

P.S. 2- Já comecei o curso de italiano, nível B2. Estou a gostar porque não há portugueses, e espanhóis apenas uns 3. Ainda hoje tive a fazer um trabalho com uma polaca, um inglês e uma norte-americana. Fora isso, há franceses, alemães, indonésios… gosto.

Agora sim!

Já temos nova co-inquilina, e agora é de vez.

O Chris acabou por arranjar quarto na casa de um dos melhores amigos, então em vez de um inglês, vamos ter... uma inglesa!

Metemos o anúncio num site, e coincidência ou não, fomos contactados pela pessoa que eu tinha preferido. Domonique, 21 anos, de Manchester, um pouco tresloucada conforme pudemos constatar ao conhecê-la.

Amanhã muda-se de armas e bagagens para o quarto ao lado do meu.

Nada mau, quando estivemos quase a ver-nos obrigados a dizer que sim a esta trintona espanhola com um certo ar-de-bruxa que traria o gato, também ele com ar sinistro. Vá, secalhar estou a ser cruel...

Latest news

Não tenho escrito porque estes últimos dias têm sido demasiado agitados e intensos para estar ao computador.

Tenho tido visitas, o Jaime e a Beatriz estiveram uma semana por terras italianas e uns diazinhos cá por casa. Para apenas 7 DIAS pagaram 45€ de excesso de bagagem, nada exagerado, diga-se de passagem. Nota: eu para vir 1 ANO estudar para fora não paguei excesso de peso. Nem eles sabiam como transportar aqueles malões, eu só me ria. Ai, o que é que se há-de fazer!


Fiz de guia turística, mostrando-lhes os pontos fortes da cidade, mas também os “meus” sítios, como a "minha" faculdade, o “meu” ginásio, o “meu” cinema, a “minha” esplanada. Obrigaram-me a tirar a foto da praxe na Torre, aquela com que eu sempre gozo quando lá passo e vejo os turistas a fazer aquela figura ridícula.
Em honra da sua visita, e para que pudessem ter um maior contacto com o meu mundinho de Erasmus, tinha sido agendada uma festa daquelas cá em casa, mas desta vez com tema: Bad Taste Party: todos deviam vir mal vestidos, o pior que tivessem, ou as piores combinações possíveis.

A taxa de adesão não foi baixa, contudo nota negativa para as espanholas, que não foram capazes de largar por uma noite os seus kits sempre arrojados. De louvar os rapazes que deixaram crescer o bigodinho para a festa :)


Tentei encontrar a pior combinação de peças que consegui, e o resultado foi: sandálias castanhas, leggings amarelas, mini-saia às flores, top tigresa, casaco azul-escuro, brincos verdes, flor ao peito, lenço aos quadrados, boina azul e maquilhagem exagerada. A última coisa que queria que me dissessem naquela noite era “estás gira”; “estás horrível” nessa noite soava a elogio.

A festa tomou proporções um bocado exageradas, ao ponto de haver grupos a tocarem à porta em que não conhecíamos nenhum dos elementos. O total de umas 90 pessoas, estimamos.

Como o andar da coisa mostrava que a situação estava a ficar descontrolada, as pessoas foram convidadas a continuar a festa na Piazza Garibaldi. E como já era de esperar, chegados lá abaixo, esperavam-nos quatro carros, quer de Polizia, quer de Carabinieri. Perguntámos-lhes se quem os tinha chamado tinha sido o vizinho do costume, ao que eles responderam que tinham recebido telefonemas de toda a rua… e de facto quem chegava confirmava que o barulho já se ouvia na Porta a Lucca.

Depois de lhes assegurarmos que deixávamos o prédio, lá se foram embora, não deixando no entanto de passar depois várias vezes na Piazza para confirmar. E assim foi, às tantas da manhã conseguimos encher a Garibaldi, onde muitos ficaram até ser dia.

Entretanto tive também duas outras visitas especiais, o Pedro e a Mafalda (meu irmão e cunhadinha). Fizeram um circuito muito bem organizado por Itália: Roma, Veneza, Pádua, e depois, já a vir dormir cá a casa, Pisa, Lucca, Cinque Terre, Florença, Vinci e Siena, tudo isto em apenas uma semana! Gostei muito de os receber: muito independentes, sociáveis, arrumados e flexíveis. Cedi-lhes o meu quartinho e fui acampar para o quarto da minha Inesinha.
Durante os dias faziam os seus passeios, e à noite vinham sair connosco, embora sempre saudosos das pequenas gémeas que deixaram pela primeira vez. Gostei muito de vos ter cá :)


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Bruxelas

Aproveitando as promoções da Ryanair, decidi ir visitar a minha Stellinha que estava a fazer Erasmus em Bruxelas. Eram só 3 dias de viagem, o que me levou a pensar se efectivamente valeria a pena. Mas também eram só 20€, era a última oportunidade que eu tinha para a visitar porque acabava o Erasmus dela, e o voo era directo Pisa-Bruxelas. Por isso lá fui eu. Mas o que eu não pensei é que valesse tanto a pena.

Cheguei terça de manhã, e enquanto me dirigia a Thieffry, estação de metro da casa dela, entre trocar de autocarros e metros, ouvi logo falar português. Português e muitas outras línguas – imensos imigrantes naquela cidade!

Para pedir indicações, tomei conta de que o meu francês estava muito esquecido, então perguntava sempre “Do you speek english?”, e quando um segurança me respondeu “Seulement Français ou italien”, fiquei contente de ter outra opção com que me conseguia safar :D E da vez em que uma senhora não me deu outra hipótese senão o francês, lá consegui formular um “Où è il metro?”, sem me lembrar porém de que não ia perceber nada da resposta… lol

Chegada a casa da Stella, metemos a conversa em dia durante um café com leite e torradas, para logo depois sairmos para começar a visita guiada por Bruxelas.

Entre muita conversa, vimos o Cinquentenaire, a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu.



Regressámos a casa, onde jantámos, e depois saímos de bicicleta para eu ir provar as célebres cervejas belgas ao Taverni. Duvel, Kwak, Kriek de sabores… são MESMO boas!


No dia seguinte, novo passeio. Começámos por ir à universidade, que gostei imenso, já que todas as faculdades estão juntas num mesmo Campus e os estudantes dos vários cursos podem partilhar os espaços comuns.

Breve ida ao departamento de Erasmus para finalizar o Learning Agreement e carimbar os últimos papéis. “C’est finit”, diz o coordenador. E tal como este, houve uma série de episódios que me meteu impressão, no sentido em que apanhei os últimos dias da estadia delas em Erasmus, quase quase de regresso, e houve coisas tristes deste género a que assisti, designadamente deixar de comprar comida para se acabar com as últimas coisas que ainda estão no frigorífico, receber a caução da senhoria, fazer as malas, descolar os postais e fotografias da parede do quarto… e depois os inevitáveis abraços apertados e as lágrimas de despedida… Ainda está longe, mas quando chegar o meu dia de fazer tudo isso também vai doer.

O passeio prosseguiu. Fomos ao Atomium (representação de um átomo de ferro ampliado 165.000 milhões de vezes, construído no contexto da Expo 58), à Grand Place (das praças mais bonitas que já vi), ao Manneken Pis (a famosa estátua do menino de bronze a urinar, cujas histórias em relação à sua origem divergem. Julgava-o maior! Tem apenas 30cm…), à Janneken Pis, e à famosa catedral. Mas o que mais gostei mesmo foi a arquitectura: são poucos os prédios altos, é quase tudo casinhas muito típicas e tão queridas!

Jantar de despedida, e depois seguimos para um bar de Salsa, Monte Cristo, onde pude ver que a Stella está a dançar muito bem. Eu também ainda dancei com uns 5 parceiros (que desenvergonhada!). Quando eles me convidavam para dançar, eu bem dizia que só sabia o básico, mas eles insistiam em ensinar-me…


Quando fechou fomos tomar um copo no Delirium, o bar mais famoso de Bruxelas, com mais de 200 tipos de cervejas diferentes, e lugar no livro do Guiness! Copo esse que se estendeu pelo resto da noite, até à hora de abertura do metro, e onde conhecemos imensa gente: belgas, italianos, ingleses… Chegadas a casa, não deu para dormir: era tempo de eu fechar a minha mochila e começar a fazer o caminho de regresso ao aeroporto Cherleroi.

Um curto período na Bélgica, mas muito bem preenchido. Para além de ter gostado de ver a minha Stellinha, e de constatar que ela está bem mais madura, levou-me a pensar que não vou voltar a ter um ano assim; um ano em que me apeteça apanhar assim um avião à maluca de Terça a Quinta-feira para ir passear a Bruxelas.

Para além disso, achei Bruxelas uma cidade muito completa para se fazer Erasmus, com um bocadinho de todos os ingredientes que acho importantes, embora muito diferente de Pisa. Para além de ser bastante cosmopolita, culturalmente é muito rica, é grande, mas apesar disso podemo-nos movimentar de bicicleta, o que a meu ver torna esta experiência bem mais especial :)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Esami

Finito!

Acabei os exames na semana passada, finalmente!

Fiz Diritto Interrnazionale Privato, Diritto Tributario, Diritto della Famiglia, Diritto delle Successione e ainda estou à espera do resultado da prova intermédia de Diritto del Lavoro I e II. Tudo oral, excepto Lavoro.

Ora são de notar algumas diferenças em relação aos exames de Direito a que estava habituada no ensino português.

Para começar, a roupa. Se na minha faculdade de Lisboa, para as orais temos de ir todos "pipis", os rapazes de fato e gravata, e as raparigas também com algum grau de formalidade, aqui vai-se de calças de ganga, de ténis, é o que calha, não há cá esses formalismos. Muitas vezes nem os professores estão de fato nas orais, nem mesmo nas aulas.

Depois, em regra os exames são orais. As notas são de 0 a 30, mas a nota mínima de passagem não é 15, mas sim 18. Mal se acaba a oral, o professor escreve a nossa nota no Libretto, uma espécie de boletim do aluno que todos devemos ter. Ao contrário do que sucede em Portugal, não temos de esperar que todos desse dia façam a oral para saber a nota. Acaba-se, e sabe-se logo.



No único exame escrito que fiz, pude constatar que o copianço e as cábulas são universais.

Em todos os exemplos que se dão para explicar as matérias, os três participantes são Tizio, Caio e Sempronio, o que me causa alguma estranheza. É que em Portugal os sujeitos dos exemplos têm sempre o nome das primeiras letras do alfabeto (“O senhor A comprou ao senhor B, que vendeu ao senhor C etc.). Porquê aqueles nomes estranhos cá? Cheira-me a mitologia romana. Senhora-mãe-professora-de-história, não quer fazer o favor de me esclarecer?

O ensino cá é muito teórico, e todos os colegas que tenho de engenharias estão a dar em malucos. Não há exercícios, só decorar teoria. Dizem que nunca tiveram de estudar tanto na vida como estudam cá. E isto leva-me à última e mais importante diferença que sinto no ensino do Direito cá.

Cá temos de decorar números de artigos e todo o seu conteúdo, decorar datas, decorar leis, decorar definições. Interpretar? Perceber? Raciocinar? Relacionar? Saber explicar? Saber doutrina e quem defende o quê? Fazer casos práticos? Pfff isso não é preciso cá. Decorar é o que se quer. Sentar e desbobinar, como se se pusesse uma cassete no Play. Ou seja, decorar tudo o que está escrito nos artigos, porque a lei não se pode ver. Como disse uma professora a um colega meu que pediu para abrir o Código Civil no meio de uma oral, “Se guarda il Codice, c’è scritto!”. Nem para as orais de direito civil levam código… E quando dizemos que em Portugal não há qualquer problema em abrir os códigos durante os exames, associam isso a facilitismo. Como estão enganados… decorar o direito não é saber o direito. Pergunto-me com que preparação ficará esta gente para a vida prática…? Já para não falar de que desde que cá estou não fiz um único caso prático...

A história de que em Erasmus são só facilidades e de que toda a gente passa às cadeiras, salvo raras excepções, não é bem assim. Os italianos costumam dizer “Gli Eramus non studiano, gli fanno passare”. Não é nada disso. Todos nós temos andado com noitadas e noitadas de estudo, cafés, chá preto, nervos, ansiedade, e como é normal, já há histórias de chumbos, desistências de exames… por isso, não é por aí.

E pronto, estas são as principais diferenças que me foram espantando ao longo do período de exames. Agora é tempo de aproveitar umas feriazinhas, com muitas visitas e viagens, que o 2º semestre já está aí à porta. Mas não sem antes ir ao supermercado, fazer umas limpezas e umas arrumaçõezinhas, que os exames desleixaram tudo :P


P.S.- Já fui buscar o certificado do exame de italiano, e mesmo depois daquele incidente, ainda deu para um Distinto (as notas são Sufficiente, Buono, Distinto, Ottimo). Venha daí o nível B2!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

New flatmate?

Dos 7 habitantes da minha casa, apenas a Inês nos vai deixar no fim deste semestre. Como o contrato de arrendamento é por 1 ano, ela está incumbida de arranjar um substituto para o seu quarto. Assim sendo, há a séria hipótese de um inglês que já está cá mas quer mudar de casa, vir morar para o quarto ao lado (e com ligação) ao meu. Chama-se Chris, é de Nottingham - terra do Robin dos Bosques - e tem uma pronúncia daquelas mesmo british que eu adoro adoro adoro, tipo Hugh Grant.


Estou radiante com tal ideia, porque embora eu passasse a ser a única rapariga da casa, no meio de 6 rapazes, o meu inglês caiu no esquecimento e actualmente limita-se ao básico. Se ele efectivamente vier, já acordámos sessões periódicas de "english time". Para além de que se ele me contagiasse com aquele british accent era perfeito. Mais, em 7 co-inquilnos passariam a haver 4 nacionalidades diferentes, não é brutal?!

Por tudo isto, estou aqui a fazer figas para que ele não arranje outra casa que prefira!

Despedidas

O primeiro semestre chega ao fim, muita gente já está de avião marcado para regressar, e já começaram as festas de despedida.

Não vai ser uma altura fácil. É facto que chegarão muitos novos Erasmus, mas tantos outros que agora nos são tão queridos partirão dentro de dias, e sei que muitas lágrimas correrão. Parece o fim de uma era.

Mas se em algumas alturas em que as saudades falaram mais alto me questionei se afinal eu própria preferia ficar só por um semestre, agora vejo que esta cidade ainda tem tanto para me dar, que o melhor ainda está para vir com o calor, e que esta experiência ainda sabe a tão pouco, que realmente tenho a certeza de que

estou mesmo feliz por continuar por cá!